Na próxima quarta-feira, a torcida vascaína estará em peso no Barradão, ansiosa para apoiar o time na decisão da vaga para a semifinal da Copa do Brasil. Após uma vitória suada por 1 a 0 em São Januário, o Gigante da Colina busca repetir a glória de 2009, quando eliminou o Vitória e avançou na competição. A lembrança daquele confronto ainda ecoa na mente do ex-volante Nilton, que viveu momentos marcantes tanto dentro quanto fora de campo.
No jogo de ida, Nilton deixou sua marca com um gol de falta na goleada de 4 a 0, mas o que realmente ficou na memória foi uma situação inusitada que quase custou sua viagem de volta. Após a classificação, ele decidiu comprar um presente para sua esposa, Karin, no aeroporto de Salvador e, distraído, acabou perdendo o voo. O diretor de futebol da época, Rodrigo Caetano, não deixou barato e aplicou uma multa de 10% do salário. Em tom de brincadeira, Nilton relembra: “Quando ouvi o anúncio da última chamada, já era tarde demais. Tentei convencer o Caetano de que estava no banheiro, mas ele não quis saber”.
A história rapidamente se tornou uma das mais comentadas entre os torcedores e até o técnico Dorival Júnior não perdeu a oportunidade de brincar com a situação, chamando Nilton de “meu pitbull”. Mas essa não foi a única vez que a esposa de Nilton teve um papel decisivo em sua carreira. Karin sempre esteve atenta a cada detalhe, desde a alimentação até a preparação para os jogos. Em uma ocasião, ela pediu a Dorival que deixasse Nilton no banco para que ele aprendesse a humildade. O resultado foi um Nilton furioso, mas que voltou com tudo em campo, provando seu valor.
Karin também se envolveu na análise dos adversários, ajudando Nilton a aprimorar seu posicionamento em campo. Ela sugeriu que ele mudasse sua movimentação em jogadas de cruzamento, o que resultou em uma sequência de gols. “Ela sempre acreditou em mim e suas dicas foram fundamentais”, diz Nilton, que se aposentou em 2021, mas mantém viva a paixão pelo Vasco.
Hoje, Nilton vive em São Paulo e trabalha na construção civil, mas seu coração ainda bate forte pelo clube que o acolheu. “Só quem vestiu a camisa do Vasco sabe o que é sentir essa energia. Eu sofro junto com a torcida, tenho um carinho imenso pelo que o Vasco me proporcionou”, afirma. Karin, por sua vez, se tornou uma torcedora fervorosa, acompanhando cada jogo e entendendo a luta dos jogadores. “Aprendi a amar o clube. O Vasco é como uma faculdade; quem passa por ali está preparado para o futebol”, diz ela.
Agora, com a missão de garantir a classificação, o Vasco precisa de um empate no Barradão para seguir firme na Copa do Brasil. A torcida, como sempre, estará lá, empurrando o time e mostrando que a paixão vascaína é inabalável.